Além dos óleos, cápsulas e flores, a cannabis também pode ser apresentada na forma de concentrados, produtos obtidos pela separação da resina ou pela extração de compostos presentes na planta. Entender suas diferenças ajuda a reconhecer o que cada apresentação representa no contexto medicinal.
Na prática, falar de concentrados não é falar de um único formato. Dry Sift, Piattella, Temple Ball, Rosin, Live Rosin, Budder, Sugar e Diamond Sauce são exemplos de nomes que aparecem nesse universo. Alguns indicam método de separação. Outros descrevem textura, refinamento, perfil terpênico ou concentração de canabinoides.
A avaliação medicinal considera a composição química, a concentração de canabinoides e a via de administração, relacionando essas características aos objetivos do tratamento. Para compreender os tipos de concentrados de cannabis medicinal, vale começar pela origem de todos eles: os tricomas.
O que são concentrados de cannabis
Os tricomas são pequenas estruturas glandulares presentes principalmente nas flores. Neles se encontram canabinoides, como THC e CBD, e terpenos, compostos associados aos aromas da planta.
A produção de concentrados reúne parte dessas substâncias e reduz a participação do restante do material vegetal. O resultado pode ser uma resina compacta, um extrato cremoso ou uma combinação de cristais e líquido aromático.
Como há mais canabinoides por unidade de massa em muitos desses produtos, a quantidade utilizada é ajustada à concentração da formulação. Composição e dose são analisadas em conjunto, permitindo relacionar a quantidade administrada à resposta observada durante o tratamento.
Como a extração influencia o produto final
Uma revisão publicada no Journal of Cannabis Research, em 2021, descreve como processamento e extração influenciam o rendimento e a composição dos derivados de cannabis. Temperatura, pressão, matéria-prima e solvente estão entre as variáveis que afetam o resultado.
Na separação mecânica, os tricomas são recolhidos por processos físicos, como peneiramento ou agitação em água gelada. Já na extração com solventes, substâncias como etanol, hidrocarbonetos ou dióxido de carbono ajudam a retirar compostos da planta. Etapas posteriores de processamento definem as características do extrato.
O termo solventless identifica processos que não empregam solventes orgânicos de extração, como ocorre com hashes separados mecanicamente e com rosin. Essa classificação descreve a técnica utilizada.
Depois da separação, prensagem, cura e cristalização também podem modificar a consistência. Por isso, método e textura são informações complementares: um extrato produzido de determinada maneira pode assumir mais de uma apresentação.
Hash e Dry Sift
Hash, ou haxixe, é uma preparação que reúne a resina dos tricomas. Pode ser apresentado solto, prensado ou submetido a uma etapa de cura, com variações de cor e maleabilidade.
O Dry Sift é obtido pelo peneiramento a seco. As telas separam os tricomas de parte do material vegetal, formando uma fração resinosa de aspecto inicialmente granular. Essa fração pode permanecer solta ou ser compactada. A Leafly descreve esse processo em seu guia de concentrados.
Outra técnica dessa família utiliza água gelada para desprender e separar os tricomas. O resultado é conhecido como Ice, que pode ser uma apresentação final ou servir de matéria-prima para outros concentrados.
Temple Ball
O Temple Ball é um hash compactado e modelado em formato arredondado. Prensagem e trabalho da resina dão origem a uma estrutura coesa, que pode apresentar uma superfície mais lisa e um interior maleável.
Durante o armazenamento, características de aroma e consistência podem se transformar. A particularidade do Temple Ball está nessa combinação entre apresentação compacta e evolução da resina.
Piattella
A Piattella é associada ao Ice submetido a uma cura controlada, frequentemente chamada de cold cure. Sua textura costuma ser macia, úmida ao aspecto e semelhante a uma pasta, com destaque para a expressão aromática da resina.
Associada a técnicas desenvolvidas na Espanha, a Piattella destaca o papel da maturação na apresentação final do Ice. Temple Ball e Piattella, presentes no catálogo da Pangaia, exemplificam como a mesma família de concentrados pode reunir apresentações bastante diferentes.
Qual é a diferença entre Rosin e Live Rosin
O Rosin é obtido pela aplicação de calor e pressão sobre material rico em tricomas. A resina se separa da matéria-prima sem o uso de solventes orgânicos. Pode ser produzido a partir de flores secas, material peneirado ou hash.
A Leafly explica em seu artigo que a matéria-prima é uma das principais diferenças entre as modalidades de rosin. Quando vem de flores, pode receber o nome flower rosin. Quando é produzido a partir de hash, é chamado de hash rosin.
Já o Live Rosin começa com cannabis congelada logo após a colheita, antes da secagem e da cura convencionais das flores. Em um processo comum, esse material é usado para obter Ice, posteriormente seco e prensado para produzir rosin.
O congelamento busca conservar compostos voláteis que poderiam se perder durante a secagem, especialmente terpenos. Assim, o termo live se refere à preservação da matéria-prima recém-colhida. A diferença central está na condição inicial da planta e em como seu perfil aromático é preservado.
A proporção de canabinoides e terpenos varia conforme a planta de origem e o processo empregado.
Budder, Sugar e Diamond Sauce
Nesses formatos, os nomes ajudam principalmente a reconhecer a estrutura física do extrato. Consistência cremosa, pequenos cristais e uma fase líquida aromática são características que permitem diferenciá-los.
Budder
O Budder tem consistência cremosa ou amanteigada. A textura pode se desenvolver durante o processamento por meio da agitação do extrato, que modifica sua organização física.
O nome identifica a consistência, enquanto a composição depende da matéria-prima e da extração. Essa distinção ajuda a compreender por que produtos classificados como Budder podem apresentar diferentes perfis químicos.
Sugar
O Sugar apresenta pequenos cristais em uma fração mais viscosa, lembrando açúcar úmido. Pode ser produzido a partir de flores secas ou de material fresco congelado.
Sua particularidade é a granulação visível, diferente da textura mais uniforme do Budder. A cor pode variar entre tons amarelados e âmbar, dependendo da matéria-prima e do processamento.
Diamond Sauce
O Diamond Sauce combina cristais de canabinoides, frequentemente ricos em THCA, com uma fração líquida rica em terpenos. Os cristais são chamados de diamonds, enquanto a parte mais fluida recebe o nome sauce.
Comparado ao Sugar, o Diamond Sauce pode apresentar cristais maiores e uma separação mais evidente entre a fase cristalina e a fração terpênica.
Budder, Sugar e Diamond Sauce são exemplos presentes no catálogo da Pangaia que tornam visíveis essas diferenças de estrutura e apresentação.
Conhecimento sobre concentrados e cuidado individualizado
Conhecer os tipos de concentrados permite compreender melhor a relação entre planta, processamento e composição. O Dry Sift destaca a separação dos tricomas; Temple Ball e Piattella mostram particularidades da preparação e da cura; Rosin e Live Rosin evidenciam o papel da matéria-prima; Budder, Sugar e Diamond Sauce expressam diferentes consistências.
O uso medicinal de concentrados deve ocorrer sob prescrição médica, com definição individualizada do produto, da dose e da via de administração. A Pangaia conta com uma rede de médicos parceiros que avaliam o histórico de saúde e as necessidades de cada paciente para orientar o tratamento. Esse acompanhamento permite relacionar a composição dos produtos aos objetivos clínicos, avaliar a resposta ao longo do tempo e ajustar a conduta quando necessário.
Para saber mais sobre cannabis medicinal ou entender como iniciar seu tratamento, entre em contato com o atendimento da Pangaia.
