Dicionário da Cannabis medicinal – explicando os termos

No compartilhamento de informações sobre o universo da Cannabis medicinal, acabamos utilizando muitos termos técnicos e médicos de difícil entendimento. Pensando nisso, criamos este dicionário online com explicações básicas de todas as palavras e termos técnicos que já utilizamos em nossos conteúdos para falar sobre canabinoides e todo esse universo.

Os termos do nosso dicionário online estão em ordem alfabética para que você possa salvar este artigo e consultar sempre que necessário. Ele será atualizado periodicamente com novas informações, aproveite!

 

Anandamida

A anandamida (ANA) ou N-araquidonoyletanolamina (AEA) é um neurotransmissor endógeno produzido pelo organismo, capaz de causar a sensação de felicidade. Seu nome inclusive é proveniente da palavra “ananda” que em sânscrito significa êxtase ou felicidade suprema. 

 

Canabinoides

Os canabinoides são substâncias produzidas nos organismos de mamíferos e vegetais. Quando falamos da presença de canabinoides em mamíferos, são chamados de endocanabinoides e funcionam no equilíbrio das funções do corpo. Quando produzidos por vegetais, são fitocanabinoides e funcionam nas plantas como proteção.

Os fitocanabinoides presentes na Cannabis interagem com o organismo de mamíferos através do sistema endocanabinoide e essa interação natural pode ser usada para fins terapêuticos, restabelecendo o equilíbrio deste sistema. A Cannabis possui mais de uma centena de canabinoides.

 

Cannabis

Cannabis é um vegetal pertencente à família Cannabaceae e, embora seu uso medicinal por meio da indústria farmacêutica seja recente, ele já vem sendo utilizado como tratamento alternativo e natural há incontáveis anos. Os primeiros registros de cultivo da planta são de seis mil anos atrás, mas há indícios do seu uso medicinal há mais de 10 mil anos.

A Cannabis é uma angiosperma e existe em três espécies: a Cannabis sativa, a Cannabis indica e a Cannabis ruderalis. Embora com algumas características diferentes, possuem a mesma anatomia. 

A Cannabis é uma erva anual e dióica, ou seja, pode ser fêmea ou macho. É através das plantas fêmeas, que possuem uma maior concentração de canabinoides em suas flores, que o óleo de CBD é extraído. Essas plantas produzem, até onde a ciência conhece, em torno de 400 substâncias químicas naturais, entre elas, mais de 120 canabinoides, além de terpenos e flavonoides. 

 

CBC (canabicromeno)

O CBC é um canabinoide de extrema importância na Cannabis medicinal, por agir no equilíbrio da produção de endocanabinoides naturais do nosso corpo. Ele é um dos principais componentes do que chamamos de efeito entourage, que é quando preservamos os componentes naturais da Cannabis para que os efeitos terapêuticos sejam potencializados. Há estudos indicando que ele ajuda no combate ao câncer, nos sintomas da depressão e em doenças dermatológicas, como a acne e a psoríase.

 

CBD (canabidiol)

O canabidiol é o componente mais presente na Cannabis e o canabinoide mais aceito para uso medicinal em todo o mundo. Isso porque ele não possui efeitos psicoativos, mas possui muitos efeitos terapêuticos já comprovados pela ciência em diversos tratamentos, como na epilepsia, ansiedade e doença de Alzheimer.

 

CBDV (cannabidivarin)

O CBDV tem efeitos parecidos com o CBD e já é utilizado pela indústria farmacêutica em medicamentos anticonvulsivantes. Ele é associado a tratamentos neurocomportamentais, tanto para convulsões quanto para a memória. Há estudos que o associam ao tratamento da distrofia muscular, mas ainda não existe uma conclusão científica.

 

CBG (canabigerol)

É um canabinoide ainda pouco estudado pela ciência, mas pesquisas recentes sugerem potenciais efeitos positivos como anticancerígeno, anti-inflamatório, analgésico e antibacteriano. Também foi estudado o efeito do CBG na redução da pressão intraocular com resultados positivos.

Ele é um canabinoide não psicoativo que se apresenta em maior quantidade em plantas com baixo teor de THC. Pesquisas sugerem, inclusive, que ele tenha efeito antipsicoativo e pode ser utilizado para amenizar os efeitos do THC em medicamentos.

 

CBN (canabinol)

O canabinol é um canabinoide que surge da degradação do THC, ou seja, há pouquíssimo canabinol na planta in natura mas, quando envelhecida, a concentração de CBN é maior. Ele possui efeito psicoativo potencializado por conta desse envelhecimento, causando efeitos de sedação leve no corpo. Estudos sugerem que esse canabinoide é eficiente no tratamento de dores crônicas e de glaucoma, além de ser um potencializador de apetite.

 

Efeito entourage

O efeito entourage, também conhecido como efeito comitiva, é a associação dos componentes naturais presentes na Cannabis para que os efeitos terapêuticos sejam potencializados. Isso acontece porque há uma sinergia entre essas substâncias naturais e, apesar desse efeito ter comprovação científica, os motivos que levam a essa potencialização quando há a sinergia entre as substâncias ainda estão sendo estudados. O que se sabe até agora é que, como cada substância tem suas características e efeitos, quando combinadas têm sua efetividade terapêutica aumentada. Em resumo, um óleo de CBD que preserve as substâncias extraídas da Cannabis funciona melhor que um óleo de CBD isolado, e é por isso que na Pangaia trabalhamos somente com o CBD Full Spectrum, preservando ao máximo todas as funções terapêuticas de todos os compostos naturais da planta.

 

Endocanabinoides

Os endocanabinoides são moléculas presentes no organismo que agem na regulação do sistema endocanabinoide. Até agora a ciência identificou dois endocanabinoides em nosso organismo: a Anandamida e o 2-Aracdonoilglicerol. Essas moléculas atuam nos receptores canabinoides presentes em nosso corpo, o CB1 e o CB2, e são essas atuações que regulam o sistema endocanabinoide, controlando a liberação de neurotransmissores e mantendo a homeostase. Nosso corpo produz os próprios endocanabinoides que regulam esse sistema, porém, quando há uma deficiência nessa produção e, consequentemente, uma desregulação desse sistema, podemos apresentar diversas doenças e sintomas. É aí que entra a Cannabis medicinal, que insere no nosso organismo canabinoides que conseguem regular o sistema endocanabinoide para o nosso corpo atingir a homeostase.

 

Flavonoides

Os flavonoides são também chamados de bioflavonoides e são responsáveis pela cor, aroma e sabor das diferentes espécies de plantas. Os flavonoides estão presentes na Cannabis, mas não são uma exclusividade dela, podendo ser encontrados em flores, frutas, grãos e vegetais que comemos. São mais de 20 os flavonoides encontrados na Cannabis e os chamamos de canaflavinas. Eles são grandes potencializadores dos efeitos medicinais da Cannabis e, por isso, indispensáveis no efeito entourage. Eles são anti-inflamatórios muito eficazes no tratamento de doenças da pele e também há estudos que associam essas substâncias ao tratamento do câncer. Já foi dito também pela comunidade científica que os flavonoides têm seu papel na alteração dos efeitos do THC, diminuindo sua psicoatividade.

 

Homeostase

A homeostase nada mais é do que a capacidade do nosso organismo de manter o equilíbrio de suas funções vitais, garantindo a estabilidade dinâmica do nosso corpo. Essa estabilidade é alcançada devido a diversos processos fisiológicos do nosso corpo, entre eles o funcionamento do sistema endocanabinoide.

 

Humuleno

O humuleno é um terpeno presente na Cannabis e também em outros vegetais. Ele é o grande responsável pelo aroma que encontramos nas flores da Cannabis e é encontrado na resina dessas flores. Esse terpeno também é encontrado em diversas plantas, podemos destacar o lúpulo, o pinheiro, a laranjeira, o louro e o girassol. Sua função nas plantas é de protegê-las contra pragas e insetos. Recentemente a ciência passou a dar mais atenção aos terpenos e investigar suas propriedades terapêuticas e as descobertas continuam sendo promissoras. Estudos sugerem que o humuleno, assim como outros terpenos, tenha potenciais efeitos anti-inflamatórios, antitumorais e antibacterianos.

 

Limoneno

O limoneno é uma substância orgânica que pertence à família dos terpenos e é encontrada principalmente em frutos cítricos. Na casca da laranja, por exemplo, a quantidade de limoneno chega a 90%. Seu aroma é cítrico e ele é um dos terpenos mais presentes na Cannabis e é encontrado nas glândulas de resina presentes na flor. Seus efeitos são calmantes e bactericidas. Estudos sugerem que a inalação desse terpeno aumenta os níveis de serotonina e dopamina em regiões do cérebro associadas à ansiedade e à depressão. Também há pesquisas sugerindo que, em conjunto com alguns canabinoides, pode apresentar princípios antitumorais. 

 

Linalol

O linalol é um dos mais de 200 terpenos presentes na Cannabis. O linalol é um dos terpenos responsáveis pelo aroma da planta e está presente em muitas outras plantas, como a lavanda, a rosa, o orégano, as uvas e as frutas cítricas. Seu aroma é uma mistura de floral, cítrico e amadeirado. Seu aroma ajuda a atrair insetos polinizadores para a reprodução da planta. Entre seus possíveis efeitos terapêuticos estudados em pesquisas científicas estão o efeito ansiolítico, antidepressivo, sedativo, analgésico e anticonvulsivo. Em conjunto com o THC, foi notado que ele aumenta o relaxamento muscular e potencializa os efeitos do canabinoide na doença de Alzheimer.

 

Mirceno

O mirceno é uma substância orgânica da família dos terpenos presente em abundância na Cannabis, mas também encontrado em diversos outros vegetais, como erva-cidreira, manjericão, lúpulo e na manga. Ele tem aroma terroso e frutado e possui uma série de propriedades medicinais já comprovadas, como efeitos anti-inflamatórios, analgésicos, antibióticos, bactericidas e antitumorais.

 

Sistema endocanabinoide

O sistema endocanabinoide é um sistema biológico presente tanto em mamíferos, quanto em plantas, descoberto pela medicina na década de 60, capaz de produzir seus próprios canabinoides. No corpo humano eles são chamados de endocanabinoides ou canabinoides endógenos, e agem no equilíbrio celular em diversas partes do corpo, garantindo a homeostase. Esses endocanabinoides agem no organismo através de dois receptores, o CB1 e o CB2, sendo responsáveis pela comunicação entre o cérebro e os processos do organismo, podendo exercer influência no sono, nas reações imunológicas, no humor, na fome, na frequência cardíaca, nas funções cerebrais, entre outros. A desregulação do sistema endocanabinoide pode acarretar em diversas doenças.

 

Terpenos

Os terpenos são compostos naturalmente produzidos em todos os tipos de vegetação através do seu metabolismo e cumprem diversas funções no organismo do vegetal, como proteger contra predadores, atuar na própria competição entre plantas e até mesmo atrair polinizadores e dispersores. Muitos terpenos são facilmente liberados no ar e percebidos pelas nossas narinas, sendo portanto os grandes responsáveis pelos cheiros que sentimos em alguns vegetais.

Na Cannabis temos diversos terpenos, mas os mais presentes na planta são limoneno, terpinoleno, mirceno, linalol, beta-cariofileno, humuleno, geraniol, bisaboleno e alfa-bisabolol. Tantos nomes podem causar um pouco de confusão, mas o que devemos saber é que os terpenos podem ter efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos, antitumorais, antifúngicos, anticonvulsivos e antibacterianos. Quando os terpenos são mantidos no tipo de óleo Full Spectrum podem potencializar o efeito dos canabinoides no corpo, fazendo parte do efeito entourage.

 

Terpinoleno

O terpinoleno é uma substância orgânica pertencente à família dos terpenos. Na Cannabis ele está presente principalmente no gênero indica e é capaz de defender a planta de insetos e fungos graças à sua capacidade larvicida e antifúngica. Seu aroma é terroso e ele está presente em várias espécies de plantas na natureza — podemos destacar sua presença no manjericão, alecrim, sálvia, coentro, gengibre, noz-moscada e aipo. Assim como muitas outras substâncias encontradas na Cannabis, o terpinoleno, ao ser estudado, apresenta efeitos terapêuticos promissores. Ele já foi associado em pesquisas tendo um potencial analgésico, anti-inflamatório, possível sedativo, antitumoral e também protetor cardiovascular. 

 

THC (tetra-hidrocanabinol)

O THC é o canabinoide mais conhecido e também o que sofre o maior preconceito. Isso por ser associado à maconha, já que ele é o responsável pelo efeito psicoativo da Cannabis. Mas sua ação no corpo não se resume somente à psicoatividade.

O tetra-hidrocanabinol funciona principalmente no sistema nervoso central, se ligando aos receptores endocanabinoides presentes no cérebro. Ele tem um potencial efeito analgésico e também anti-inflamatório, principalmente em casos crônicos de dor, e é comprovadamente eficiente no controle do estresse e no combate à insônia.

O THC funciona também como um neuroprotetor e pode ser eficiente no combate à epilepsia e outras doenças degenerativas, como é o caso do Alzheimer e do Parkinson. Como se não bastasse, sugere-se em pesquisas que ele também tem efeito antitumoral.

 

THCA (ácido tetra-hidrocanabinol)

O THCA, diferente do canabinol, é o THC em sua primeira forma e aparece majoritariamente na planta in natura. Após ser colhido e seco, o THCA se converte em THC mas, diferente desse, o THCA não tem efeitos psicoativos.

Ainda há poucas pesquisas sobre esse canabinoide, mas ele é associado às respostas imunológicas do corpo humano e pode ser eficiente no controle de doenças autoimunes e até no tratamento da aids.

 

THCV (tetra-hidrocanabivarin)

O THCV tem propriedades psicoativas, mas, diferente do THC, que é um estimulador de apetite, tem um efeito inibidor da fome. Esse canabinoide está sendo associado ao tratamento da obesidade e pesquisas também sugerem sua eficiência em controlar os níveis de açúcar no sangue e reduzir a resistência do corpo à insulina. Como o CBC, é altamente associado ao efeito entourage, potencializando os efeitos medicinais do THC. 

 

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Os termos do universo da Cannabis medicinal são muitos e nós da Pangaia nos comprometemos em sempre atualizar nossos leitores com as novidades deste universo.

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